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A nova dimensão do diagnóstico em Medicina Dentária: da função à biologia

21-05-2026
Dr. André Seabra

Médico dentista e diretor clínico

Ao longo do meu percurso em medicina dentária, sempre procurei uma abordagem que fosse além daquilo que é visível. 

Durante muitos anos, a medicina dentária focou-se essencialmente na estrutura… dentes, osso, alinhamento, mas a prática clínica mostra-nos diariamente que a verdadeira origem de muitos problemas está muito para além disso

Está na função, na adaptação do corpo, na respiração, no sistema muscular e no equilíbrio global do paciente.

Hoje na Seabra Clinic, trabalhamos muito claro de medicina dentária integrativa.

Isto significa que não olhamos apenas para um dente isolado ou para radiografia. Olhamos para a pessoa como um todo. 

Na prática clínica diária, recebemos frequentemente pacientes com dores orofaciais ,tensão muscular, cefaleias, bruxismo, fadiga mastigatória, estalitos articulares ou desconfortos cervicais que não são totalmente explicados pelos exames convencionais. Radiografias, scanners intraorais ou CBCT fornecem-nos informação estrutural extremamente importante, mas muitas vezes não conseguem mostrar aquilo que esta funcionalmente em desequilíbrio. Inclusive problemas nas próprias carótidas onde são analisadas logo numa primeira consulta com anamnese correta. 

Foi precisamente essa necessidade de compreender melhor o funcionamento do sistema neuromuscular que me levou a aprofundar áreas como a Reabilitação Neuro- Oclusal (RNO) recentemente estudada na Universidade Mississippi Madrid, e a integrar novas ferramentas de diagnóstico funcional, como a termografia médica. 

A termografia permite-nos analisar padrões térmicos do corpo através da captação da radiação infravermelha emitida naturalmente pelo organismo. Na prática clínica, isto traduz-se numa ferramenta extretamente interessante para identificar zonas de maior atividade muscular, inflamação ou assimetrias funcionais antes mesmo de surgirem alterações estruturais evidentes. 

A evidência científica demonstra que a termografia pode auxiliar na identificação de diferenças de temperatura associadas à atividade muscular e ao fluxo sanguíneo, sendo particularmente útil na avaliação de disfunções da articulação temporomandibular e alterações musculares reacionadas com bruxismo e dor orofacial. Estudos mostram ainda que pacientes ccom bruxismo apresentam temperaturas mais elevadas na musculatura mastigatória refetindo maior esforço muscular e sobrecarga funcional. 

Na minha avaliação, a integração da termografia em alguns casos permitentes avaliar de forma mais objetiva a função muscular, identificar padrões precoces de sobrecarga, monitorizar a evolução dos tratamentos e personalizar abordagens clínicas com maior precisão. Mais do que olhar para a forma, passamos a compreender a função real do sistema. 

A Reabilitação Neuro- Oclusal trouxe também uma mudança muito importante à minha visão clínica. Em vez de tratarmos apenas consequências, procuramos atuar na origem do desequilíbrio, na função mastigatória, no sistema neuromuscular, na postura e na respiração. Quando combinamos RNO com ferramentas de diagnóstico funcional como a termografia, plataforma estabilométrica, estudo do sono e análise funcional, conseguimos compreender melhor o impacto da oclusão no corpo e desenvolver tratamentos mais previsíveis, equilibrados e sustentáveis ao longo do tempo. 

Hoje sabemos que  bruxismo, por exemplo, não pode ser encarado apenas como um problema dentario. Existe frequentemente uma ligação ao sistema nervoso, ao stresses, à qualidade do sono, à respiração oral, à postura e até a alterações metabólicas ou nutricionais. É precisamente por iso que acreditamos numa abordagem integrativa e multidisciplinar. 

Na minha equipa composta com mais de 40 pessoas, integro diferentes áreas clínicas numa visão coordenada do paciente, associando medicina dentária, análise funcional, estudos de sono, fisioterapia, terapia miofunciona, ortodontia, microscopia em campo escuro, posturologia e outras áreas complementares que nos permitem compreender melhor a origem do problema e não apenas os  sintomas.  

A medicina dentária está inevitavelmente a evoluir. O futuro passa por diagnósticos mais precoces, mais personalizados e cada vez mais orientado, para a função e para a biologia do paciente. Tecnologias como inteligência artificial, análise funcional avançada irão redefinir a forma como avaliamos e tratamos os nossos pacientes. 

Mas existe algo que nunca mudará a minha essência desde sempre, o foco na pesoa. 

A tecnologia só faz sentido quando melhora a nossa capacidade de decisão clínica e a experiência de quem nos procura. Nas minhas consultas de plano de tratamento, esse continua a ser o meu compromisso diário, combinar conhecimento, inovação e uma visão verdadeiramente integrativa para oferecer tratamentos mais precisos, mais humanos e biologicamente mais equilibrados onde o paciente e o seu bem-estar é o meu foco principal. 

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