12-08-2026
Dra. Catarina Campelo
Terapeuta da Fala
A leitura de livros na infância é muito mais do que um momento de lazer. É uma ferramenta fundamental para estimular a linguagem, a comunicação, a atenção, a imaginação e a relação entre a criança e o adulto.
Desde cedo, o contacto com livros contribui para o desenvolvimento da linguagem, ajudando a criança a aumentar o vocabulário, compreender novas palavras, organizar ideias e construir frases mais completas. Mesmo antes de saber ler, a criança já está a aprender através das imagens, da entoação da voz, da repetição e da interação com quem lhe conta a história.
Porque é que os livros são importantes para a linguagem?
Durante a leitura, a criança é exposta a palavras novas, estruturas frásicas diferentes e formas variadas de comunicar. Este contacto frequente ajuda a desenvolver competências essenciais, como:
– Compreensão verbal;
– Aumento do vocabulário;
– Construção de frases;
– Organização do pensamento;
– Atenção e memória auditiva;
– Capacidade de escutar e esperar pela sua vez;
– Nomeação de objetos, ações, emoções e personagens.
A leitura também permite trabalhar a consciência fonológica, ou seja, a capacidade de perceber os sons da fala. Rimas, repetições, lengalengas e jogos de palavras ajudam a criança a desenvolver competências importantes para a futura aprendizagem da leitura e da escrita.
Ler também promove a socialização
Os livros criam oportunidades de interação. Quando o adulto lê com a criança, não está apenas a “contar uma história”, está a criar um momento de comunicação partilhada.
A criança aprende a olhar, apontar, responder, fazer perguntas, comentar imagens, imitar sons, antecipar acontecimentos e expressar emoções. Tudo isto são competências sociais e comunicativas importantes para o seu desenvolvimento.
Além disso, as histórias ajudam a criança a compreender situações do dia a dia, regras sociais, emoções e comportamentos. Através das personagens, a criança pode identificar-se com diferentes experiências e aprender formas de resolver problemas, lidar com frustrações ou compreender o outro.
A leitura deve ser uma obrigação?
Não. A leitura deve ser um momento prazeroso, leve e adaptado à idade da criança.
Não é necessário ler o livro do início ao fim, nem seguir sempre exatamente o texto escrito. Muitas vezes, basta explorar as imagens, fazer perguntas simples, imitar sons, pedir à criança para encontrar objetos ou deixar que seja ela a “contar” a história à sua maneira.
Mais importante do que ler muito, é ler com qualidade, atenção e presença.
Como escolher livros adequados?
A escolha do livro deve ter em conta a idade, os interesses e o nível de desenvolvimento da criança.
Para crianças mais pequenas, podem ser úteis livros com imagens grandes, cores apelativas, texturas, sons, animais, rotinas diárias ou histórias simples e repetitivas.
Para crianças mais velhas, podem ser introduzidas histórias com mais sequência, personagens, emoções, problemas e soluções, promovendo a compreensão, a narrativa e a expressão verbal.
Qual é o papel do Terapeuta da Fala?
O Terapeuta da Fala pode orientar as famílias na escolha de livros e estratégias adequadas para estimular a comunicação da criança.
Em contexto terapêutico, os livros podem ser utilizados para trabalhar linguagem, articulação dos sons, construção frásica, consciência fonológica, atenção, compreensão, narrativa, competências sociais e expressão emocional.
A leitura partilhada é, por isso, uma estratégia simples, acessível e muito rica para potenciar o desenvolvimento infantil.
Em suma
Ler livros com as crianças é investir na linguagem, na comunicação e na relação. É criar momentos de partilha, estimular a curiosidade, promover a imaginação e desenvolver competências fundamentais para a vida.
Na Terapia da Fala, os livros são muito mais do que histórias: são pontes para comunicar, aprender e crescer.
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