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Controlo de comportamento na consulta de odontopediatria

20-07-2026
Dra. Bárbara Castro

Médica dentista

O que é o “comportamento” em odontopediatria?

O comportamento não é sobre “ser bem ou mal comportado”. Muitas das vezes é uma resposta emocional (medo, ansiedade, curiosidade, cansaço) que a criança demostra e que pode destabilizar a consulta.

Quais os fatores que influenciam o comportamento da criança?

  • Idade e maturidade;
  • Experiências anteriores no dentista ou noutras especialidades médicas;
  • Ansiedade dos pais;
  • Personalidade da criança;
  • Hora do dia (se tem sono, ou se está com fome);
  • Situações de dor/infeção;
  • Crianças com necessidades especiais.

 

O controlo de comportamento começa em casa…

Antes da consulta o cuidador deve falar com a criança sobre o procedimento de modo simples. Por exemplo, quando a criança vai para um tratamento de cárie o correto será abordar o tema da seguinte maneira: “Hoje a Dra. vai tirar os bichos dos dentes, vai usar umas escovinhas que fazem cócegas para mandar os bichinhos embora com o aspirador e depois vai colocar uma massinha branca para o dente ficar contente e forte”. Evitar dizer: “não vai doer” ou “não tenhas medo” antes e durante a consulta. O objetivo é moldar a criança de modo que seja fácil executar os procedimentos.

 

É melhor os pais entrarem no consultório ou ficarem na sala de espera?

É uma questão controversa, mas a verdade é que certas crianças comportam-se melhor sem a presença dos pais.

Crianças muito pequenas (até 5/6 anos) pode ser benéfico os pais entrarem porque dá sensação de segurança, reduz a ansiedade inicial e facilita a cooperação nas primeiras consultas. Mas sempre com uma condição, o cuidador deve-se manter calmo e silencioso, intervindo apenas se o odontopediatra assim o disser.

Crianças com mais de 7 anos pode fazer sentido entrar sozinha, assim vai se focar na consulta, evita chamar atenção dos pais e promove autonomia e confiança.

As vezes o comportamento dos pais podem atrapalhar a consulta. Pais que são ansiosos, acabam por transmitir essa ansiedade a criança, acabando por refletir em medo e desconfiança.

Construir uma experiência positiva a longo prazo

Para isto acontecer, a primeira consulta no dentista é muito importante que seja quando surge o primeiro dentinho ou até ao primeiro ano de vida da criança, sem que haja sinais de dor. Assim a consulta é preventiva e não curativa.

Nas consultas preventivas fazemos tratamentos simples como destartarização, profilaxia, aplicação de vernizes de flúor, selamento de fissuras e isto permite ao odontopediatra criar confiança na criança.

Tratamentos curativos, como remoção de uma cárie, ou pulpotomias acaba por ser mais invasivo. E se a criança não conhece o mundo do consultório dentário, a consulta acaba por ser muito mais desafiante.

 

Quais as técnicas que o odontopediatra utiliza para controlo comportamental

  • Explicação do procedimento fora da boca de forma simplificada;
  • Contar histórias para desviar a atenção do paciente;
  • Uso de uma voz assertiva;
  • Oferecer um brinde ou um diploma de bom comportamento e elogiar pela coragem e dedicação;
  • Sedação consciente: A sedação pode ser usada com segurança e eficácia em pacientes que não conseguem colaborar devido à falta de maturidade psicológica ou emocional e/ou condições mentais, físicas ou médicas;
  • Sedação profunda ou Anestesia geral: Técnicas que obrigam a presença de uma equipa de anestesia médica ou um bloco operatório. Na sedação profunda o paciente está muito relaxado, com consciência diminuída, podendo até não responder facilmente a estímulos, no entanto não está completamente inconsciente. Na anestesia geral, a criança fica totalmente inconsciente, sem qualquer perceção do ambiente ou dor e precisa de controlo das funções vitais.

 

Vamos clarificar a estabilização protetora/contenção física!

Em odontopediatria, trata-se de uma técnica cuidadosamente controlada, utilizada de forma ética e criteriosa, com o objetivo de garantir segurança durante determinados procedimentos. Na prática, a contenção física pode envolver o uso das mãos do profissional, ajuda dos pais, ou de dispositivos específicos (como mantas de contenção), sempre de forma suave e proporcional. O objetivo principal é limitar movimentos bruscos e inesperados que possam comprometer o tratamento.  Falar abertamente sobre este tema é essencial para quebrar preconceitos e promover uma visão mais informada e equilibrada da odontopediatria — centrada, acima de tudo, no bem estar da criança.

 

Cada criança é única

Não existe uma abordagem universal. Temos sempre que adaptar individualmente a forma como abordar a criança. O papel da equipa não é forçar comportamentos, mas sim contruir confiança, respeitando limites e promovendo experiencias positivas, moldando a relação da criança com a saúde oral para o futuro.

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